Na madrugada de 28 de fevereiro de 2026, os Estados Unidos e Israel lançaram uma das operações militares mais significativas do século — um ataque conjunto e coordenado contra o Irã. O mundo acordou diante de um novo capítulo na geopolítica global, com consequências que ainda estão se desdobrando em tempo real. Este boletim traz o essencial para você entender o que aconteceu, o contexto por trás da decisão e o que monitorar nos próximos dias.
O que aconteceu em 28 de fevereiro
EUA e Israel lançaram ataques aéreos coordenados — denominados pelas forças militares como Operação Leão Rugidor, Escudo de Judá e Fúria Épica — contra pelo menos nove cidades iranianas, incluindo Teerã, Isfahan, Qom, Karaj e Kermanshah. A operação envolveu caças F-35, F-22, F-15 e F-16, além de aeronaves de guerra eletrônica.
Poucas horas após o início dos ataques, o presidente Donald Trump divulgou um vídeo declarando que o objetivo era promover a mudança de regime no Irã, citando o apoio iraniano a grupos como Hamas e Hezbollah, a suposta busca por armas nucleares e a repressão a manifestantes como justificativas.
O resultado mais impactante foi a morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã há mais de três décadas, confirmada por fontes israelenses e pela mídia iraniana Iran International. Outros líderes militares e políticos também foram mortos nos ataques, incluindo o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad.
O paradoxo diplomático: ataques durante negociações
O timing do ataque chama atenção. Em 6 de fevereiro, apenas três semanas antes, EUA e Irã haviam realizado negociações nucleares indiretas em Mascate, Omã. No dia 26 de fevereiro — dois dias antes dos ataques — os dois países se reuniram novamente e chegaram a marcar um novo encontro técnico para 2 de março para discutir os detalhes de um possível acordo nuclear.
A decisão de atacar enquanto uma negociação estava em andamento sinaliza uma mudança estratégica deliberada: Washington optou pela coerção militar no lugar da diplomacia, o que representa uma ruptura significativa com a abordagem dos últimos anos.
A retaliação iraniana e a instabilidade regional
A Guarda Revolucionária iraniana respondeu rapidamente, lançando uma primeira onda de mísseis e drones contra Israel e outros países da região, incluindo Qatar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Síria, Emirados Árabes e Dubai. Em Tel Aviv, ao menos uma pessoa morreu e 21 ficaram feridas.
O Crescente Vermelho iraniano reportou mais de 200 mortos e 747 feridos no Irã, com parte significativa das vítimas sendo civis — incluindo crianças em uma escola feminina na cidade de Minab, no sul do país.
A Guarda Revolucionária declarou que os ataques continuarão até que “o inimigo seja decisivamente derrotado”, sinalizando que a retaliação ainda não chegou ao fim.
O risco para os mercados globais e para o Brasil
O Irã é o quarto maior produtor da OPEP e está localizado às margens do Estreito de Ormuz — por onde passam cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia, o equivalente a aproximadamente 20% de todo o comércio global de petróleo. Autoridades iranianas já sinalizaram a possibilidade de fechar o estreito como medida retaliatória.
Analistas do mercado estimam que o barril de petróleo pode superar US$ 100 em resposta ao conflito. Para o Brasil, isso tem dupla implicação: como exportador de petróleo, o país pode se beneficiar no curto prazo com preços mais altos; ao mesmo tempo, pressões inflacionárias em combustíveis e fretes podem impactar toda a cadeia produtiva.
Além do petróleo, o conflito provoca incerteza nos mercados financeiros globais, pressiona o câmbio e pode afetar as condições de financiamento externo para economias emergentes como a brasileira.
O que monitorar nos próximos dias
A situação ainda está em evolução. Os pontos críticos a acompanhar são:
- Estreito de Ormuz: qualquer bloqueio ou tentativa de bloqueio por parte do Irã terá efeito imediato sobre o preço do petróleo e o comércio global.
- Sucessão no Irã: com a morte de Khamenei, o país enfrenta uma crise de liderança sem precedentes recentes. Quem assume o controle e com qual agenda é uma incógnita determinante.
- Posição das potências: Rússia, China, França e Brasil já condenaram os ataques. Como essas nações responderão diplomaticamente — e se haverá algum movimento no Conselho de Segurança da ONU — será decisivo para o desdobramento do conflito.
- Escala da retaliação iraniana: a primeira onda foi lançada, mas a Guarda Revolucionária prometeu mais. O nível de resposta iraniana nas próximas 48 a 72 horas definirá se este é um conflito contido ou uma guerra regional de longa duração.
Conclusão
O ataque de 28 de fevereiro de 2026 marcou uma virada na geopolítica do Oriente Médio — e seus efeitos vão muito além da região. Para líderes empresariais e tomadores de decisão brasileiros, este não é um evento distante: ele redefine o preço da energia, o risco geopolítico nas cadeias globais e o ambiente macroeconômico dos próximos meses.
Continuaremos acompanhando os desdobramentos. Quando o cenário se estabilizar o suficiente, traremos uma análise decisória aprofundada sobre como se posicionar estrategicamente diante deste novo mundo.
Atualizado em 1º de março de 2026.




