Agentes de IA como consumidores: quando 24% dos usuários já usam assistentes de compra com IA, a estratégia de marketing precisa mudar — e o CMO precisa liderar essa transição

Por décadas, marketing foi a arte de persuadir humanos. Humanos que veem anúncios, sentem o apelo emocional de uma campanha, respondem a gatilhos psicológicos cuidadosamente calibrados, e tomam decisões de compra influenciados por marcas, preços e experiências. Em 2026, esse cenário está sendo perturbado por um elemento radicalmente novo: cerca de 24% dos usuários de IA já utilizam assistentes de compra alimentados por inteligência artificial. E esse número está crescendo rapidamente. A questão que todo CMO brasileiro precisa responder agora é: o que acontece com a estratégia de marketing quando o “consumidor” que precisa ser convencido não é mais apenas um humano — mas também um agente de IA que toma decisões em nome desse humano?

O surgimento do “consumidor não humano”

Imagine o cenário — que já é realidade para uma fatia crescente de consumidores: um usuário diz ao seu assistente de IA, “preciso de um tênis de corrida, confortável, até R$ 600, com boa durabilidade”. O agente pesquisa, compara, lê avaliações, verifica disponibilidade e apresenta três opções ranqueadas com justificativas. O humano escolhe entre as três — ou simplesmente confirma a primeira recomendação.

Nesse fluxo, quem são as “partes interessadas” do processo de marketing? Existem duas: o humano que expressou a necessidade e vai usar o produto, e o agente de IA que executou a pesquisa e fez a curadoria das opções. Para o humano chegar a ver sua marca, o agente precisa ter incluído você entre as opções — e para o agente incluir você, sua marca precisa ser legível, credível e relevante para um sistema de IA, não apenas atrativa para um humano.

Esse é o problema estrutural que a maioria das estratégias de marketing brasileiras ainda não resolveu: elas foram inteiramente desenhadas para persuadir humanos, e têm capacidade zero de otimizar para a nova camada de intermediação algorítmica.

O que agentes de compra procuram — e como ser encontrado por eles

Agentes de IA tomam decisões de curadoria baseados em fontes de informação estruturadas. Eles leem avaliações em plataformas, extraem especificações técnicas de fichas de produto, consultam comparativos editoriais e sintetizam informações de múltiplas fontes. Os critérios que um agente usa para ranquear produtos ou serviços são radicalmente diferentes dos critérios que motivam um humano navegando por um e-commerce.

Um humano pode ser atraído por uma embalagem bonita, um influencer que ele segue, ou um anúncio bem segmentado. Um agente de IA se preocupa com: dados completos e estruturados sobre o produto (especificações, ingredientes, composição); consistência de informações entre fontes (site da marca, marketplaces, avaliações); avaliações verificáveis com alta volume e especificidade; e presença em fontes que modelos de linguagem usam para construir seu conhecimento — que inclui artigos editoriais de qualidade, comparativos técnicos e publicações especializadas.

Em outras palavras: SEO e GEO (Generative Engine Optimization) deixaram de ser estratégias de atração de tráfego e viraram pré-requisitos de existência no novo funil de compras mediado por IA.

Duas estratégias de marketing que precisam ser revisadas agora

Estratégia 1 — Marketing emocional sem substância informacional. Campanhas que apostam exclusivamente em apelo emocional e brand awareness sem oferecer informações técnicas sólidas sobre o produto funcionam para humanos que decidem por instinto ou aspiration. Não funcionam para agentes de IA que precisam justificar uma recomendação com dados. Marcas que não têm conteúdo técnico denso, bem estruturado e acessível sobre seus produtos estão invisíveis para esse novo intermediário.

Estratégia 2 — Publicidade paga como única alavanca de aquisição. Anúncios pagos — Google Ads, Meta, programática — são excelentes para alcançar humanos em contextos de descoberta. Mas agentes de IA geralmente não processam anúncios da mesma forma: eles buscam informações em fontes que consideram confiáveis, não em inventário publicitário. Depender exclusivamente de mídia paga para aquisição é construir um funil que vai ficando mais ineficiente à medida que mais consumidores delegam a fase de pesquisa para assistentes de IA.

A resposta estratégica não é abandonar o marketing para humanos — é adicionar uma camada de marketing para agentes. Isso inclui: construir arquitetura de conteúdo informacional denso e estruturado sobre produtos e serviços; investir em autoridade editorial em plataformas que modelos de linguagem consultam; garantir consistência de informações em todos os pontos de contato digitais; e medir a presença da marca em respostas de assistentes de IA (algo que ferramentas emergentes de “brand AI visibility” já conseguem rastrear).

O CMO que entender essa dualidade — e construir estratégias que funcionem tanto para o humano que usa o assistente quanto para o agente que cuida da pesquisa — vai ter vantagem estrutural crescente nos próximos anos.

Publicado em 14 de março de 2026 · thinq.news

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