DREX abandona blockchain e redefine sua missão — o que a virada do Banco Central significa para o Open Finance brasileiro

Depois de quatro anos de desenvolvimento, dois pilotos com dezenas de bancos e consórcios, e promessas de tokenização de ativos, o Banco Central do Brasil tomou uma decisão que surpreendeu o mercado: o DREX vai lançar em 2026 sem blockchain. A tecnologia que parecia central ao projeto foi descartada após o presidente do BCB, Gabriel Galípolo, declarar que “não se provou viável” para os objetivos da instituição. A notícia gerou ruído — mas a verdadeira história é o que o DREX passa a ser quando deixa de ser um experimento de tokenização e vira infraestrutura financeira real.

O que o DREX sempre foi — e o que nunca deveria ter sido

O erro de narrativa foi enquadrar o DREX como “o real digital” ou “a criptomoeda do governo”. O DREX é um CBDC — uma representação digital da moeda oficial emitida e regulada pelo Banco Central, intermediada obrigatoriamente por instituições financeiras. Não é um ativo especulativo, não é descentralizado e não compete com o PIX para pagamentos do dia a dia.

O que o DREX se propõe a fazer — e que o mercado ainda subestima — é criar infraestrutura de liquidação para ativos financeiros complexos: contratos de crédito, recebíveis, instrumentos de renda fixa e, no futuro, títulos públicos. A versão de lançamento em 2026 foca em infraestrutura para conciliação de ônus de crédito — uma camada técnica invisível ao consumidor final, mas estratégica para o mercado de capitais brasileiro.

PIX, Open Finance e DREX: a arquitetura em três camadas do BCB

O ex-presidente do BCB, Roberto Campos Neto, descreveu a visão com clareza antes de deixar o cargo: o Brasil está construindo um sistema financeiro digital em três camadas. O PIX foi a primeira — pagamentos instantâneos democratizados. O Open Finance é a segunda — portabilidade de dados financeiros e interoperabilidade entre instituições. O DREX é a terceira — tokenização e liquidação programável de ativos.

Esse trilho lógico importa porque o Open Finance brasileiro é hoje reconhecido internacionalmente como o mais avançado do mundo em escopo. Enquanto o open banking europeu é limitado a dados de conta corrente, o Open Finance brasileiro inclui investimentos, seguros, previdência e câmbio. O DREX, quando amadurecer, pode ser a camada de execução que transforma dados compartilhados em transações programáveis — contratos que se executam automaticamente quando condições são atendidas.

O abandono do blockchain: perda ou acerto?

A decisão de lançar sem blockchain divide opiniões técnicas. Os críticos argumentam que a descentralização e a programabilidade de contratos inteligentes eram o ponto central da proposta de valor do DREX. Sem ela, o projeto seria apenas mais um sistema de liquidação centralizado — mais complexo que o necessário e menos inovador que o prometido.

Os defensores da decisão do BCB apontam que a prioridade é funcionar: uma infraestrutura confiável, regulada e interoperável com o sistema financeiro existente entrega mais valor a curto prazo do que um experimento tecnológico elegante que não escala. A virada é pragmática — e provavelmente correta para o contexto regulatório brasileiro.

O lançamento do DREX em 2026 cria obrigações e oportunidades concretas para o setor financeiro. Instituições que participaram dos pilotos precisam adaptar suas integrações para a nova arquitetura sem blockchain. Fintechs de crédito que dependem de conciliação de recebíveis têm incentivo real para se conectar à infraestrutura do DREX desde o primeiro dia. E bancos que já têm posição forte em Open Finance podem usar o DREX para criar produtos de crédito com liquidação instantânea que não existem hoje no mercado.

Publicado em 11 de março de 2026 · thinq.news

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