No dia 12 de fevereiro de 2026, a Anthropic — criadora do modelo de IA Claude — finalizou uma rodada de financiamento Série G de US$ 30 bilhões, elevando seu valuation para US$ 380 bilhões. É o segundo maior aporte privado da história do setor de tecnologia, superado apenas pela rodada de mais de US$ 40 bilhões levantada pela OpenAI no ano anterior.
A operação, liderada pelo fundo soberano de Singapura GIC e pela gestora Coatue, consolida a Anthropic como uma das empresas mais valiosas do mundo — e redefine o que significa ser uma startup de inteligência artificial em 2026.
Quem está por trás do cheque de US$ 30 bilhões
A rodada foi co-liderada por D. E. Shaw Ventures, Dragoneer, Founders Fund, ICONIQ e MGX, além do GIC e Coatue. Outros participantes de peso incluem Accel, General Catalyst, Jane Street, Qatar Investment Authority, Sequoia Capital, Lightspeed Venture Partners e Blackstone — uma lista que lê como um almanaque do capital global.
Parte do montante corresponde aos compromissos anteriormente anunciados pela Microsoft (até US$ 5 bilhões) e pela Nvidia (até US$ 10 bilhões), firmados em novembro de 2025. O envolvimento dessas gigantes aponta para algo além de apostas financeiras: trata-se de alinhamentos estratégicos em torno do acesso à infraestrutura de IA de próxima geração.
O salto de valuation é expressivo. Na rodada Série F, a Anthropic era avaliada em US$ 183 bilhões. Em pouco mais de um ano, esse número mais do que dobrou.
O que explica esse crescimento vertiginoso
A Anthropic não é mais apenas uma empresa de pesquisa — é uma plataforma de infraestrutura para empresas. O modelo Claude emergiu como referência no mercado enterprise em 2026, influenciando decisões em setores como finanças, saúde, direito e segurança nacional. Essa tração comercial, combinada com resultados técnicos que rivalizam ou superam os da OpenAI em diversas métricas, justifica o valuation.
Segundo a própria empresa, os recursos captados serão direcionados para três frentes: expansão da infraestrutura computacional, pesquisa fundamental em segurança de IA e desenvolvimento de produtos voltados ao mercado corporativo. A aposta é clara — a corrida para construir a camada de IA mais confiável para as empresas está apenas começando.
Anthropic no radar da segurança nacional
Um detalhe raramente discutido nas coberturas financeiras: a Anthropic não é uma empresa neutra no espectro geopolítico. Parte de sua base de investidores e contratos inclui órgãos governamentais e de defesa dos Estados Unidos. O fato de o GIC (Singapura), o QIA (Qatar) e o MGX (Abu Dhabi) participarem da mesma rodada que a Nvidia e a Microsoft cria uma rede de interdependências que vai muito além do retorno financeiro.
A presença de fundos soberanos do Oriente Médio e da Ásia na Anthropic também sinaliza que a disputa global pela IA de fronteira não é mais binária — não é só EUA contra China. É uma corrida multilateral na qual governos ao redor do mundo buscam garantir acesso e influência sobre os modelos que definirão a próxima década.
O que muda para o mercado de IA
A rodada da Anthropic reforça uma tendência que se consolida em 2026: o capital está se concentrando em poucos laboratórios de fronteira, criando uma estrutura de mercado oligopolística. OpenAI, Google DeepMind, Meta AI e Anthropic formam um quarteto que concentra a maior parte dos recursos humanos, computacionais e financeiros disponíveis para o desenvolvimento de IA avançada.
Para startups menores e players regionais, esse movimento representa tanto um desafio quanto uma oportunidade. O desafio é óbvio — competir em capacidade bruta de treinamento é inviável. A oportunidade está em construir aplicações verticalizadas, usar modelos de fronteira via API e criar valor onde as gigantes ainda não chegaram.
Perspectiva estratégica
O que a Anthropic está construindo — de forma deliberada e gradual — é uma infraestrutura de confiança para a IA corporativa. Enquanto a OpenAI corre para dominar o mercado de consumo e a Google integra IA ao seu ecossistema já estabelecido, a Anthropic aposta que as grandes organizações precisarão de um parceiro de IA que priorize segurança, previsibilidade e alinhamento com valores institucionais.
Com US$ 380 bilhões em valuation e US$ 30 bilhões no caixa, a empresa agora tem os recursos para transformar essa aposta em realidade. A pergunta que o mercado fará nos próximos 18 meses é simples: a Anthropic conseguirá converter sua credibilidade técnica em liderança comercial sustentável?
A rodada Série G da Anthropic não é apenas um evento financeiro — é um sinal de que o mercado enterprise está elegendo seus fornecedores estratégicos de IA para os próximos anos. CTOs e CEOs que ainda não definiram sua estratégia de parceiro de IA de longo prazo estão perdendo uma janela crítica: as integrações que forem construídas agora com os modelos de fronteira vão moldar vantagens competitivas difíceis de reverter. O momento de avaliar Claude, GPT e Gemini em projetos reais é hoje — não quando o mercado já tiver convergido.




