Taiwan fabrica mais de 90% dos chips mais avançados do mundo através da TSMC — um nível de concentração geopolítica que não tem precedente em nenhum outro insumo crítico da economia global. Nem o petróleo do Oriente Médio no auge da dependência americana chegou a esse grau de concentração de capacidade produtiva. O que isso significa para empresas, governos e investidores é uma das questões estruturais mais importantes da próxima década.
Por que a TSMC é insubstituível no curto prazo
A TSMC não é apenas uma fábrica — é o resultado de 35 anos de acumulação de conhecimento técnico, capital humano especializado, fornecedores co-localizados e processos proprietários que não se replicam com investimento de capital isolado. O TSMC Arizona, inaugurado em 2024 com investimento de $40 bilhões e subsidio do CHIPS Act americano, produz chips em processo N4 — duas gerações atrás dos 2nm que a TSMC Taiwan já domina.
Engenheiros taiwaneses que se recusam a mudar para o Arizona, fornecedores que não acompanharam a expansão e a diferença cultural na tolerância a horas de trabalho intensivo criaram um gap de execução que o dinheiro sozinho não fecha. Jensen Huang, CEO da Nvidia, declarou publicamente que a localização da produção de seus chips fora de Taiwan em escala é uma questão de décadas, não de anos.
O cálculo estratégico de Pequim
Para a China, Taiwan tem duas dimensões que se sobrepõem: a reivindicação territorial histórica e o acesso à capacidade semicondutora. Uma reunificação forçada que destruísse a infraestrutura da TSMC seria uma vitória política com custo econômico catastrófico — inclusive para a própria China, que é um dos maiores clientes da TSMC. Uma tomada que preservasse as fábricas operacionais seria o maior salto de capacidade tecnológica da história.
Analistas de defesa como o ex-comandante indo-pacífico Philip Davidson estimam que a janela de risco mais alta é entre 2027 e 2030 — antes que os programas de diversificação ocidental (TSMC Arizona, Intel Foundry, Samsung Texas) atinjam escala suficiente para reduzir a dependência crítica. Depois dessa janela, o valor estratégico de Taiwan como concentrador de capacidade semicondutora diminui, reduzindo o incentivo para ação militar.
Como empresas estão gerenciando o risco Taiwan
Apple, Nvidia e AMD — que dependem da TSMC para seus chips mais críticos — estão diversificando gradualmente: mais produção no Arizona, desenvolvimento de relacionamento com Samsung Foundry para nós menos avançados, e estoques estratégicos. Nenhuma dessas medidas elimina a dependência de Taiwan para chips de ponta, mas reduz a concentração de risco.
Para empresas que usam chips como insumo — do automóvel ao data center — o risco Taiwan é uma variável que precisa aparecer no planejamento de continuidade de negócios. O cenário não é necessariamente o pior caso de conflito armado: até perturbações logísticas menores causadas por tensão política têm capacidade de criar escassez com efeitos em cascata na economia global, como a crise de chips de 2021-2022 demonstrou.
Perguntas frequentes sobre Taiwan e TSMC
Por que Taiwan é tão importante para a indústria de chips?
Taiwan, através da TSMC, fabrica mais de 90% dos chips mais avançados do mundo (abaixo de 7nm). Essa concentração resulta de décadas de acumulação de conhecimento técnico, capital humano especializado e ecossistema de fornecedores que não se replicam rapidamente em outros países.
Os EUA estão reduzindo a dependência de chips taiwaneses?
Sim, mas lentamente. O CHIPS Act de 2022 destinou $52 bilhões para incentivar produção doméstica, incluindo a fábrica TSMC Arizona. Porém, as instalações americanas produzem chips com atraso tecnológico de 2 gerações em relação ao que a TSMC Taiwan já domina, e a paridade levará pelo menos uma década.
O que aconteceria com a economia global se Taiwan fosse invadida?
Economistas estimam impacto de $1-2 trilhões no PIB global no primeiro ano, com escassez severa de chips que paralisaria indústrias automotiva, de eletrônicos de consumo e data centers. O impacto seria comparável ou superior ao da pandemia de COVID-19 em duração e profundidade.
Taiwan não é apenas onde os chips mais avançados do mundo são fabricados — é onde a estratégia de IA de qualquer grande empresa global encontra seu principal ponto de vulnerabilidade geopolítica. Uma interrupção no fornecimento da TSMC, seja por tensões no Estreito, por desastres naturais ou por escalada de sanções, tem o potencial de paralisar projetos de infraestrutura de IA em escala global por meses ou anos. Para gestores de risco enterprise, diversificação de fornecedores de hardware e estratégias de multi-cloud já não são questões de eficiência operacional — são parte do planejamento de continuidade de negócios. Empresas que não têm um mapa claro de dependência de semicondutores Taiwan-origin em sua stack de IA precisam construir esse mapa antes que precisem dele.




