A semana de 4 dias de trabalho deixou de ser proposta radical de bem-estar para se tornar experimento corporativo com dados suficientes para análise séria. O maior estudo global coordenado, conduzido pela organização 4 Day Week Global com 61 empresas em 2022, produziu resultados que dificilmente poderiam ser ignorados: produtividade estável ou crescente em 92% das empresas, queda de 65% no burnout, redução de 57% na intenção de deixar o emprego. Dois anos depois, o que as empresas que mantiveram o modelo aprenderam com a implementação real?
O que os dados mostram de fato
O estudo da 4 Day Week Global, replicado com empresas na Islândia, Reino Unido, Estados Unidos, Austrália e Irlanda, mostrou que a maioria das empresas não perdeu produtividade medida por output — mas a maioria também não ganhou. O que ganhou foi engajamento, retenção e capacidade de recrutamento. Empresas que adotaram a semana de 4 dias reportaram 2-3x mais candidatos por vaga aberta, redução de absenteísmo e menor custo de turnover.
A ressalva metodológica importante: os estudos medem output em empresas que se voluntariaram para o experimento — empresas já propensas à flexibilidade e com culturas de trabalho mais saudáveis. O viés de seleção é real e limita a generalização. Empresas com culturas de horas longas como proxy de comprometimento tendem a não participar desses estudos.
Como as empresas que funcionaram implementaram
O modelo que produziu melhores resultados não foi simplesmente “trabalhe 4 dias e pronto” — foi uma reformulação sistemática de reuniões, processos e comunicação assíncrona. Empresas como a Microsoft Japão, que reportou aumento de 40% em produtividade, cortaram reuniões de 60 para 30 minutos, eliminaram reuniões com mais de 5 pessoas e implementaram padrões de comunicação por escrito para substituir reuniões de alinhamento.
A semana de 4 dias funcionou, nessas empresas, como catalisador de uma reorganização do trabalho que deveria ter acontecido de qualquer forma. A pressão de ter um dia a menos forçou a conversa sobre quais atividades realmente geram valor. Sem essa reformulação, o modelo não funciona — vira semana de 5 dias comprimida em 4, com o mesmo volume de trabalho e mais estresse.
Onde não funciona
Setores que dependem de cobertura contínua — atendimento ao cliente, saúde, manufatura, varejo — têm desafios estruturais que a semana de 4 dias não resolve sem redesenho completo de escala e turnos. Equipes pequenas onde cada pessoa cobre funções críticas também têm dificuldade: a ausência de um dia cria gargalos reais se não há redundância nos processos.
Para gestores que consideram a implementação, a pergunta certa não é “podemos trabalhar menos?” mas “quais das nossas atividades atuais não geram valor suficiente para justificar o tempo?” A resposta a essa pergunta é onde o ganho real está — independentemente de quantos dias a semana de trabalho tem.
Perguntas frequentes sobre semana de 4 dias de trabalho
A semana de 4 dias prejudica a produtividade?
Não, segundo os estudos disponíveis. O maior experimento global, com 61 empresas, mostrou produtividade estável ou crescente em 92% dos casos. A ressalva é que os estudos têm viés de seleção — empresas que se voluntariam tendem a ter culturas de trabalho mais saudáveis já.
Quais empresas já adotaram a semana de 4 dias?
Entre os casos mais documentados: Microsoft Japão (reportou +40% de produtividade), Unilever Nova Zelândia, Perpetual Guardian (empresa neozelandesa que inspirou o movimento), e centenas de PMEs no UK, Irlanda e EUA que participaram dos experimentos coordenados pela 4 Day Week Global.
A semana de 4 dias é viável para todos os setores?
Não de forma universal. Setores que exigem cobertura contínua — saúde, atendimento ao cliente, manufatura — têm desafios estruturais que requerem redesenho de escala e turnos. O modelo funciona melhor em trabalho do conhecimento onde output é medido por resultado, não por horas presenciais.




