IA: de hype para pragmatismo — o que muda em 2026

Durante dois anos, empresas compraram IA da forma como compravam software nos anos 2000: por medo de ficar para trás. O resultado foi uma proliferação de projetos-piloto sem métricas claras, dashboards bonitos sem impacto em receita, e uma crescente frustração de líderes que investiram mas não sabem o que ganharam.

2026 é o ano em que essa conta chega. E, surpreendentemente, é uma boa notícia para quem sabe o que está fazendo.

A virada que está acontecendo agora

O consenso entre analistas e CIOs é claro: o ciclo de experimentação está se encerrando. O que vem a seguir não é menos IA — é IA com disciplina. Organizações que sobreviveram ao hype estão agora fazendo a pergunta que deveriam ter feito desde o início: em quais processos específicos a IA entrega resultado mensurável?

A resposta raramente é “em tudo”. É em fluxos de trabalho com estrutura suficiente para automação, volume suficiente para justificar investimento, e dados suficientes para treinar ou contextualizar o modelo. Esse filtro elimina a maior parte dos projetos-piloto da era do hype — e seleciona aqueles que têm chance real de escalar.

O que os dados mostram

Praticamente todos os líderes consultados em pesquisas recentes concordam que IA é prioridade de investimento para 2026. Mas a mudança está no critério de sucesso: saem as métricas de adoção (usuários ativos, prompts gerados) e entram métricas de negócio (tempo de ciclo reduzido, custo por transação, taxa de erro em processos críticos).

Isso parece óbvio. Não era, na prática, o que estava acontecendo. A maioria das implementações de 2023 e 2024 foi medida por engajamento, não por resultado. 2026 é quando as empresas que não conseguem mostrar ROI vão cortar — e as que conseguem vão dobrar a aposta.

Pragmatismo não é pessimismo

Há uma leitura equivocada circulando de que “fim do hype” significa desapontamento com IA. É o oposto. O hype inflou expectativas sobre o que IA consegue fazer de forma autônoma hoje. O pragmatismo reajusta essas expectativas — e, ao fazer isso, libera recursos para os casos de uso onde a tecnologia realmente entrega.

O Gartner projeta que 40% das aplicações corporativas vão embutir agentes de IA até o final de 2026. Esse número não é sobre hype — é sobre integração operacional. Agentes não são ChatGPTs internos para funcionários testarem. São componentes de software que executam tarefas dentro de fluxos existentes, com autoridade limitada e métricas claras.

O que separa quem vai ganhar de quem vai perder

Clareza sobre onde a autonomia faz sentido. Essa é a variável que mais diferencia as implementações que estão funcionando das que não estão. Empresas que fizeram esse mapeamento antes de construir — identificando gargalos reais com especialistas de domínio — estão colhendo resultados. Empresas que compraram plataformas e esperaram que os casos de uso emergissem ainda estão esperando.

O pragmatismo de 2026 não é a morte da IA. É o fim da fase em que qualquer projeto com “IA” no nome conseguia aprovação. E isso, para quem sabe construir, é exatamente o que faltava.

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