McKinsey: 20.000 agentes de IA no time

Em janeiro de 2026, Bob Sternfels, CEO da McKinsey & Company, deu uma entrevista que causou mais impacto nos corredores corporativos do que qualquer relatório de tendências publicado pela própria firma. A declaração foi direta: “Somos 60.000 — 40.000 humanos e 20.000 agentes.” Na entrevista mais recente, o número de agentes já havia chegado a 25.000, com a meta explícita de alcançar paridade com o headcount humano antes do final de 2026.

Não estamos falando de chatbots internos ou de automação de planilhas. A McKinsey está operando agentes de IA como membros funcionais de equipes — entidades que recebem tarefas, executam pesquisas, produzem entregáveis e participam de ciclos de revisão ao lado de analistas e sócios. É o experimento mais visível e bem documentado de uma grande organização tratando IA não como ferramenta, mas como força de trabalho.

O que os 20.000 agentes estão fazendo

Os agentes da McKinsey atuam principalmente em três frentes: pesquisa e síntese de mercado, modelagem financeira de primeiro passe e produção de materiais de apresentação em draft. São exatamente as funções que costumavam ocupar as primeiras semanas de um analista recém-contratado — o trabalho de volume, iterativo e bem definido que consome tempo mas não exige os julgamentos de alto nível que diferenciam uma recomendação estratégica de uma análise genérica.

O resultado mensurável é paradoxal: os cargos voltados ao cliente cresceram 25% — mais engagement managers, consultores sênior e advisors estratégicos — enquanto as funções de back-office encolheram na mesma proporção. Analistas de pesquisa, processadores de dados e suporte administrativo. Mas a produção total dessas áreas aumentou 10% com 25% menos pessoas. Ou seja: menos headcount, mais output, mais margem, mais faturamento por projeto.

Sternfels declarou à Harvard Business Review que, em 18 meses, cada funcionário da firma trabalhará ao lado de pelo menos um agente, com papéis redefinidos da análise rotineira para a supervisão estratégica. Já existe um novo cargo emergindo dentro da firma: agent product manager — o profissional que define o que um agente deve fazer, como ele deve ser avaliado e quando sua output precisa de revisão humana.

A lógica econômica que nenhum CEO pode ignorar

O que a McKinsey está fazendo não é altruísmo tecnológico. É uma resposta racional à pressão crescente de clientes que não querem pagar horas de analista júnior para tarefas que um agente faz em minutos. O modelo de honorários por hora, que sustentou o setor de consultoria por décadas, está sendo corroído por baixo.

A firma que primeiro conseguir reposicionar seu modelo de precificação — de “horas faturáveis” para “valor entregue” — terá uma vantagem competitiva estrutural. Agentes não ficam doentes, não precisam de onboarding de 3 meses e não pedem demissão para ir para uma startup. O custo marginal de escalar um agente é próximo de zero comparado com o custo de contratar e treinar um analista.

A pesquisa mais abrangente da McKinsey Global Institute publicada em 2025 mostrou que as tecnologias já demonstradas hoje poderiam, em teoria, automatizar atividades que representam cerca de 57% das horas de trabalho nos EUA. Mas esse número não é um prognóstico de demissões em massa — é um mapa de onde a produtividade pode ser reinvestida. A questão não é se o trabalho vai mudar, mas quem vai capturar o valor dessa mudança.

O que isso significa para empresas brasileiras

O experimento da McKinsey é um laboratório em tempo real do que acontecerá — já está acontecendo — em bancos, seguradoras, consultorias jurídicas, agências de publicidade e qualquer organização onde uma parcela significativa do trabalho seja baseada em análise de informação. A diferença é que a McKinsey tem os recursos para fazer essa transição de forma planejada, com equipes dedicadas de “human in the loop” e avaliadores de output de agentes.

A maioria das empresas brasileiras não tem esse luxo. O risco real não é a adoção de agentes — é adotá-los sem governança, sem definir claramente quais decisões ainda precisam de um humano no loop e sem treinar as pessoas para supervisionar em vez de executar. A firma que chegar a 20.000 agentes sem um framework robusto de oversight vai produzir mais rápido, errar mais rápido e ter muito mais dificuldade em rastrear onde as coisas deram errado.

Há também a questão da cultura. Na McKinsey, a adoção de agentes veio acompanhada de uma mudança no processo seletivo: o CEO anunciou que os testes de entrevista agora incluem avaliações de como os candidatos trabalham com agentes de IA. A empresa está contratando não apenas para o que você sabe, mas para como você amplifica o que você sabe com IA. Esse critério está chegando ao mercado de trabalho brasileiro mais rápido do que qualquer previsão de RH estimou.

Publicado em 25 de abril de 2026 · thinq.news

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