OpenClaw: o agente que começou como hobby e terminou contratado pela OpenAI

Em novembro de 2025, um engenheiro austríaco chamado Peter Steinberger publicou um projeto pessoal de IA no GitHub. Três meses depois, Sam Altman anunciou que ele havia entrado para a OpenAI para liderar “a próxima geração de agentes pessoais”. A história do OpenClaw é um dos casos mais reveladores sobre para onde a IA está indo — e por que o Vale do Silício está correndo para chegar lá primeiro.

O que é o OpenClaw — e por que viralizou

O OpenClaw é um agente de IA autônomo que roda localmente no dispositivo do usuário e opera de forma contínua, sem supervisão humana constante. Diferente dos chatbots tradicionais que apenas respondem a perguntas, o OpenClaw age: acessa arquivos, controla o navegador, executa comandos no terminal, lê e-mails, gerencia calendários e se integra com WhatsApp, Telegram, Discord e Slack.

A proposta é radical na sua simplicidade — você conversa com o agente como se fosse um contato no celular, e ele executa tarefas complexas de forma autônoma 24 horas por dia. O projeto viralizou porque entregou, de forma open source e funcional, algo que as grandes labs prometem há anos: um assistente que realmente faz coisas no mundo digital, não apenas responde.

De Clawdbot a OpenClaw: três nomes em três meses

A trajetória do projeto também diz muito sobre o ambiente competitivo da IA. Lançado em novembro de 2025 como Clawdbot, o projeto foi renomeado para Moltbot em janeiro de 2026 após pressão da Anthropic por conflito com o nome “Claude”. Três dias depois, uma notificação da própria Anthropic forçou mais uma troca — e o projeto virou OpenClaw.

Steinberger não é um novato. Austríaco, na casa dos 40 anos, ele construiu o PSPDFKit — um toolkit de PDF usado por Apple, Dropbox e SAP — de forma bootstrapped por uma década, antes de vender sua participação quando a Insight Partners aportou US$ 116 milhões em 2021. O OpenClaw não foi seu primeiro produto bem-sucedido. Foi só o mais viral.

A contratação pela OpenAI — e o que Altman disse

Em 15 de fevereiro de 2026, Sam Altman anunciou publicamente que Steinberger havia entrado para a OpenAI. A função: liderar o desenvolvimento da próxima geração de agentes pessoais. A mensagem de Altman foi direta — o criador do OpenClaw vai trabalhar em “smart agents”, exatamente o campo em que o projeto já havia demonstrado tração real.

Quanto ao OpenClaw em si, Altman garantiu que o projeto permanecerá open source, hospedado em uma fundação independente com suporte contínuo da OpenAI. É um movimento clássico de acqui-hire tech: você contrata o talento, absorve o aprendizado, e mantém o projeto vivo para não alienar a comunidade que o construiu.

Por que isso importa além da contratação

O OpenClaw não foi contratado por acidente. Ele demonstrou, em código aberto, que é possível construir um agente autônomo funcional com os modelos de linguagem já disponíveis — sem precisar de infraestrutura proprietária de bilhões de dólares. Isso incomoda as grandes labs porque prova que a barreira de entrada para agentes reais está caindo.

Para a OpenAI, trazer Steinberger é uma jogada defensiva e ofensiva ao mesmo tempo. Defensiva porque evita que esse talento vá para Google, Anthropic ou uma startup rival. Ofensiva porque coloca alguém que já construiu e lançou um agente funcional — com adoção real — no centro do desenvolvimento dos próximos produtos.

Os riscos que a popularidade trouxe

O crescimento rápido do OpenClaw também atraiu escrutínio. Pesquisadores de segurança apontaram que um agente com acesso a e-mail, calendário, arquivos e mensagens representa uma superfície de ataque significativa se mal configurado. Instâncias expostas sem autenticação adequada podem ser exploradas para exfiltração de dados ou execução de comandos não autorizados.

É o paradoxo central dos agentes autônomos: quanto mais capaz o sistema, maior o impacto de uma falha de segurança. A normalização dos agentes no uso cotidiano vai exigir um novo padrão de segurança que ainda está sendo construído — e o OpenClaw, involuntariamente, acelerou essa conversa.

Thinq for Enterprise
Natsuo Oki
Head de IA · Thinq.news

O caso OpenClaw tem uma lição direta para líderes corporativos: a próxima camada de valor em IA não está nos modelos de linguagem em si — está em quem conseguir orquestrar agentes autônomos com acesso real a sistemas e dados internos. O que Steinberger fez em três meses com código aberto é o que times de inovação em grandes empresas tentam fazer há anos com orçamentos robustos. A diferença não foi recurso — foi clareza de proposta e execução focada. Para CTOs e CIOs, a pergunta que o OpenClaw coloca na mesa é: qual é o nosso agente interno? Quem na organização está construindo o equivalente corporativo disso?

Zeen is a next generation WordPress theme. It’s powerful, beautifully designed and comes with everything you need to engage your visitors and increase conversions.

Zeen Subscribe
A customizable subscription slide-in box to promote your newsletter
[mc4wp_form id="314"]