O Open Finance no Brasil completou dois anos de operação plena em 2024 com números que justificam otimismo cauteloso: mais de 40 milhões de consentimentos ativos, mais de 1.200 instituições participantes e um ecossistema de APIs que já processa bilhões de chamadas por mês. O que esses números escondem é igualmente relevante: a maioria dos casos de uso que o Open Finance deveria viabilizar ainda não chegou ao consumidor final de forma tangível.
O que o Open Finance já entregou
O avanço mais concreto está na portabilidade de crédito. Consumidores com histórico financeiro em um banco agora podem compartilhar esses dados com outro para obter propostas competitivas — sem precisar começar do zero como cliente. Fintechs como Creditas, Nubank e startups menores usam dados de Open Finance para oferecer crédito com taxas 15-30% menores para tomadores que seriam considerados de maior risco apenas com dados de bureau tradicionais.
O segundo avanço real é no PFM (Personal Finance Management): apps de gestão financeira pessoal que agregam contas de múltiplos bancos numa visão unificada. Guiabolso (agora parte do PicPay), Organizze e outros cresceram significativamente com o acesso facilitado a dados via Open Finance. Para o consumidor que tem conta em três bancos diferentes, a visão consolidada tem valor prático imediato.
O que ainda não decolou — e por quê
A promessa mais ambiciosa do Open Finance — iniciação de pagamentos que permitiria pagar qualquer conta diretamente de qualquer app financeiro — avança devagar. A adoção por parte dos bancos incumbentes, que são ao mesmo tempo obrigados a participar e incentivados a retardar a concorrência, foi estrategicamente lenta na implementação de APIs de qualidade. Latência alta, erros frequentes e janelas de manutenção convenientes são formas de compliance formal sem viabilização real.
O Banco Central reconheceu o problema e intensificou supervisão de qualidade de APIs em 2024, com multas para instituições com performance abaixo do padrão. A melhoria foi mensurável, mas ainda há gap entre o que as fintechs precisam para construir produtos fluidos e o que os bancos entregam.
O próximo ciclo: Open Insurance e Open Investments
O regulador já sinalizou a expansão do ecossistema para seguros e investimentos. Open Insurance permitirá portabilidade de apólices e comparação automatizada de coberturas — mercado ainda mais opaco para o consumidor do que o bancário. Open Investments abrirá dados de carteiras para gestores e plataformas independentes. Ambos têm potencial disruptivo maior que o Open Finance bancário, justamente por operarem em setores com menos concorrência prévia.
Perguntas frequentes sobre Open Finance no Brasil
O que é Open Finance e como funciona no Brasil?
Open Finance é o sistema regulado pelo Banco Central que permite ao consumidor compartilhar seus dados financeiros entre instituições autorizadas. Com um consentimento digital, é possível autorizar que um banco ou fintech acesse seu histórico em outra instituição para oferecer produtos personalizados. O Brasil tem um dos sistemas mais avançados do mundo, com mais de 40 milhões de consentimentos ativos.
Open Finance é seguro?
Sim. O compartilhamento de dados só ocorre com consentimento explícito do titular, pode ser revogado a qualquer momento, e as instituições participantes são reguladas e auditadas pelo Banco Central. Os dados trafegam por APIs certificadas com padrões de segurança definidos pelo regulador.
Quais benefícios concretos o Open Finance traz para o consumidor?
Os principais benefícios já disponíveis são: portabilidade de crédito com taxas mais competitivas, visão consolidada de contas em múltiplos bancos via apps de gestão financeira, e maior poder de negociação com instituições financeiras ao compartilhar seu histórico positivo.




