O Fundo Monetário Internacional publicou uma análise de mercado de trabalho com um dado que captura a velocidade da transformação em curso melhor do que qualquer projeção de longo prazo: 1 em cada 10 vagas abertas em economias avançadas hoje exige pelo menos uma habilidade que não estava presente em descrições de cargo equivalentes alguns anos atrás. E vagas que incluem essas novas habilidades pagam em média 3% a mais.
O diferencial de remuneração é pequeno em termos absolutos, mas o sinal que ele envia é relevante: o mercado está precificando habilidades emergentes acima de habilidades estabelecidas, mesmo quando as funções são estruturalmente similares. Isso tem implicações para como organizações pensam sobre remuneração de profissionais que investem em atualização contínua.
Quais são as novas habilidades que aparecem com mais frequência
A análise do FMI e dados complementares de plataformas de emprego apontam consistentemente para um cluster técnico-cognitivo: habilidades em ferramentas de IA e automação, análise e interpretação de dados, comunicação de insights técnicos para audiências não técnicas, e gestão de projetos em ambientes de alta incerteza.
O que é notável nessa lista: as habilidades mais demandadas não são puramente técnicas. São habilidades híbridas que combinam capacidade técnica com habilidades de comunicação e julgamento. Isso é consistente com o padrão de substituição — IA está substituindo as partes mais técnicas e repetitivas de funções cognitivas, tornando as partes de julgamento e comunicação mais centrais.
O que economias emergentes precisam considerar
O padrão de “1 em cada 10 vagas com nova habilidade” é específico para economias avançadas — onde a transformação digital já está mais disseminada. Em economias emergentes, o padrão é diferente: a transformação pode chegar mais rápido em alguns setores (financeiro, logística) enquanto outros setores ainda têm décadas de trabalho manual ou semi-manual pela frente.
Para o Brasil especificamente, a combinação de transformação digital acelerada em setores como fintech e agronegócio com persistência de trabalho manual em outros cria um mercado de trabalho com polarização crescente — alta demanda em pontas opostas do espectro de habilidades, com compressão no meio. Políticas de educação e requalificação que não levam essa polarização em conta vão produzir resultados subótimos.




