O mercado de M&A em fintech está acelerando. Com mais de 200 transações anunciadas em 2025 e ritmo crescente em 2026, o setor caminha para um dos anos mais ativos de sua história em consolidação. O dado mais revelador não é o volume — é quem está comprando: mais da metade dos adquirentes são outras fintechs.
Isso marca uma virada de maturidade. Na primeira fase de crescimento do setor, fintechs eram adquiridas por bancos querendo acessar tecnologia ou base de clientes digitais. Na fase atual, fintechs que sobreviveram e construíram escala estão comprando competidores menores, adquirindo capacidades adjacentes e consolidando mercados que ficaram fragmentados demais.
O que está sendo comprado
As transações seguem três padrões principais. Primeiro, consolidação horizontal: fintechs maiores comprando concorrentes diretos para ganhar escala e eliminar competição de preço. Segundo, aquisição de capacidade: comprar tecnologia específica — compliance automatizado, modelos de scoring, infraestrutura de pagamentos — que seria muito caro construir internamente. Terceiro, expansão geográfica: usar M&A para entrar em mercados onde construir do zero levaria anos de licenciamento e desenvolvimento de produto.
O paradoxo da consolidação
O setor fintech se construiu sobre a narrativa de democratização financeira — mais players, mais competição, melhores produtos para consumidores. A consolidação atual cria um paradoxo: os sobreviventes estão construindo posições de mercado cada vez mais sólidas, com vantagens de escala, dados e distribuição que novas entrantes vão ter dificuldade crescente de superar.
Daqui a cinco anos, o mercado fintech pode se parecer menos com um ecossistema dinâmico e mais com uma oligopolia de players consolidados — ironicamente mais parecido com o sistema bancário tradicional que veio desafiar.
O que isso sinaliza para bancos tradicionais
Fintechs consolidadas com escala, tecnologia e base de clientes são competidores mais sérios do que startups em estágio inicial. O momento de parcerias estratégicas com fintechs que têm produto comprovado — antes que elas cresçam a ponto de tornar a aquisição proibitivamente cara — é agora. Bancos que ainda estão em modo de “observar e esperar” estão perdendo a janela.




