Uma pesquisa com professores de múltiplos países encontrou que 70% se preocupam que o uso de IA por alunos está enfraquecendo habilidades de pensamento crítico e pesquisa. É o tipo de número que provoca dois tipos de reação: alguns o descartam como resistência de professores à mudança; outros o usam como argumento para banir IA das escolas. Nenhuma dessas reações é útil.
A preocupação dos professores é parcialmente correta — e parcialmente equivocada. Correta no diagnóstico do risco. Equivocada na inferência sobre a solução.
Onde os professores estão certos
Há evidências concretas de que certos usos de IA reduzem o esforço cognitivo dos alunos de formas que comprometem aprendizado. Quando um aluno usa IA para gerar uma redação em vez de escrever, ele pula exatamente o processo que desenvolve organização de pensamento, seleção de evidências e construção de argumento. Quando usa IA para resolver um problema matemático em vez de trabalhar o processo, não desenvolve a intuição numérica que torna futuros problemas mais fáceis.
Aprendizado acontece em grande parte no esforço — no processo de tentar, errar, ajustar. IA que remove esse esforço não está acelerando aprendizado; está eliminando o mecanismo pelo qual aprendizado acontece.
Onde os professores estão equivocados
A inferência de que IA inerentemente enfraquece pensamento crítico confunde o efeito de um uso específico com o efeito da tecnologia em geral. IA usada para pesquisar e sintetizar fontes pode desenvolver pensamento crítico se o aluno for levado a avaliar a síntese, identificar lacunas e questionar a qualidade das fontes. O problema não é a IA — é a tarefa que não foi redesenhada para funcionar com IA.
O redesenho pedagógico que está faltando
Tarefas pedagógicas foram desenhadas em um mundo onde escrever uma redação de zero era o único caminho. Com IA disponível, as tarefas que desenvolvem pensamento crítico precisam ser redesenhadas: avalie essa redação que a IA gerou e aponte três argumentos fracos. Use IA para pesquisar dois lados de um debate e construa seu próprio posicionamento. Essas tarefas exigem mais julgamento, não menos. Mas exigem redesenho deliberado — e a maioria das escolas não investiu nisso ainda.




