Em 2025, cinco empresas americanas — Microsoft, Google, Amazon, Meta e Oracle — comprometeram coletivamente mais de $450 bilhões em investimento em infraestrutura de IA. O número é suficientemente grande para parecer abstrato. O que ele revela sobre dinâmicas de mercado, geopolítica e o futuro da indústria merece análise mais cuidadosa do que manchetes sobre “corrida armamentista”.
Por que esse nível de investimento faz sentido — e por que pode não fazer
A lógica por trás do capex massivo é a seguinte: IA vai criar valor econômico suficiente para justificar a infraestrutura, e quem não construir agora perde a janela de vantagem competitiva. Esse argumento é coerente se os retornos sobre IA generativa forem tão grandes quanto os otimistas projetam — e se a concentração de infraestrutura criar barreiras de entrada duráveis.
O contra-argumento, que o DeepSeek tornou mais saliente, é que eficiência de treino está melhorando rapidamente. Se cada nova geração de modelos exigir menos compute para atingir capacidade equivalente, o capex de hoje pode ser infraestrutura superdimensionada amanhã. É o equivalente tecnológico de construir um porto para navios que logo serão substituídos por aeronaves.
A dimensão geopolítica do capex
Onde esse investimento acontece importa tanto quanto o quanto. Microsoft anunciou $80B em data centers globais para 2025, com ênfase deliberada fora dos EUA — Europa, Middle East, Japão, Brasil. Isso não é apenas diversificação de risco: é estratégia de influência. Países que hospedam infraestrutura da Microsoft ou Google desenvolvem dependência técnica, econômica e, eventualmente, política.
A China está fazendo o mesmo em direção contrária: Alibaba Cloud, Huawei Cloud e outros provedores expandem presença no Sudeste Asiático, África e América Latina. O mapa de data centers globais está se tornando um mapa de influência geopolítica.
O que significa para empresas fora das Big Five
Para empresas que dependem de acesso a compute — startups de IA, pesquisadores, empresas que usam cloud para cargas de IA — a concentração de $450B em cinco players tem implicação direta: poder de precificação, disponibilidade de recursos e termos contratuais são crescentemente controlados por um oligopólio. Diversificação de provedores e modelos híbridos (cloud + on-premise para cargas sensíveis) passam de opção para necessidade estratégica.



