O número vem do World Economic Forum e tem sido repetido em contextos variados: 39% das habilidades consideradas relevantes hoje não serão relevantes em 2030. Para líderes de RH e gestão de pessoas, a questão prática não é se o número é exatamente certo — é como criar uma organização capaz de se adaptar a esse ritmo de mudança, independentemente da taxa exata.
O desafio não é novo — habilidades sempre ficaram obsoletas com mudanças tecnológicas. O que é diferente agora é a velocidade e a amplitude. Ciclos anteriores de obsolescência tecnológica afetavam principalmente funções específicas em setores específicos. O que está acontecendo com IA afeta trabalho cognitivo transversalmente, em praticamente todos os setores e níveis hierárquicos.
O que as organizações que estão lidando bem com isso têm em comum
Mapeamento contínuo de competências. Não o inventário anual de habilidades que vai para uma planilha e fica esquecido — mas um processo vivo de entender quais capacidades existem na organização, quais vão ser necessárias em 12-24 meses, e onde estão os gaps. Isso requer investimento em ferramentas e processos que a maioria das empresas ainda não tem.
Cultura de aprendizado como métrica de performance. Organizações que estão se adaptando bem tratam aprendizado contínuo como comportamento esperado e medido, não como benefício oferecido. A diferença prática: em uma, o funcionário aprende se quiser e se tiver tempo. Na outra, não aprender é notado e discutido.
Parcerias com fornecedores de educação corporativa. Construir conteúdo de treinamento interno para habilidades que mudam a cada 18 meses não é viável. As empresas que conseguem mover pessoas mais rápido são as que têm acesso a conteúdo externo de qualidade e processos para integrá-lo com as necessidades específicas do negócio.
As três habilidades que aparecem em todo mapeamento de 2026
Literacia em IA — não programação, mas capacidade de entender o que sistemas de IA fazem, onde confiar e onde questionar. Pensamento crítico e síntese — a habilidade de avaliar informação de múltiplas fontes e chegar a conclusões fundamentadas, que se torna mais valiosa, não menos, quando IA produz mais informação. E comunicação de complexidade — traduzir análises e dados em decisões para públicos não técnicos. Essas três aparecem consistentemente como insuficientes nas organizações e crescentemente demandadas pelo mercado.




