O OCC (Office of the Comptroller of the Currency) recebeu 18 pedidos de charter de novo banco em 2025 — o maior número em anos — e aprovou condicionalmente 6 deles. Para quem acompanha o setor bancário, esse dado é significativo: após um período de seca de novos entrantes, o interesse em obter licença bancária tradicional está voltando.
As razões são múltiplas. A clareza regulatória crescente em ativos digitais torna o charter bancário mais valioso do que era dois anos atrás — ter licença federal abre portas que modelos de parceria com bancos existentes não abrem. O ambiente de taxas de juros, mesmo após normalização, ainda favorece margens de interesse para quem consegue captar depósitos. E a consolidação de bancos regionais criou gaps de mercado em algumas geografias e segmentos.
Quem está pedindo charter — e por quê isso é diferente de antes
O perfil dos candidatos a novo charter em 2025-2026 é distinto das ondas anteriores. Não são principalmente bancos comunitários tradicionais querendo atender regiões rurais sub-bancarizadas — são fintechs maduras que cresceram com modelo de parceria bancária e querem remover o intermediário, empresas de tecnologia querendo oferecer produtos financeiros com controle regulatório próprio, e operadores de nicho querendo servir segmentos específicos (cannabis, cripto, setores governamentais) que bancos existentes evitam.
O que a aprovação condicional significa
Aprovação condicional não é aprovação final. O OCC estabelece requisitos específicos — capital mínimo, plano de negócios validado, estrutura de gestão de risco aprovada — que o candidato precisa cumprir antes de operar. Historicamente, a maioria dos aprovados condicionalmente chega à aprovação final. O processo leva de 12 a 24 meses adicionais.
Para o mercado, o sinal é que o regulador está mais receptivo a novos entrantes do que era no período 2018-2022. Isso tem implicações para bancos existentes: a paisagem competitiva vai ter mais players com licença federal nos próximos anos, não menos.




